terça-feira, 27 de julho de 2010

A TECELÃ


Enfim te encontro, enfim
Repouso meu corpo no teu.
Seu corpo cria meu formato,
Tecendo teu molde de ternura
A cada linho de meu cansaço.

Se antes debulhada em pranto,
Hoje mergulho neste encanto,
É como vestir o próprio sossego,
É me cobrir de tanto aconchego.

Porém findou – se a noite
E um novo dia se prometeu
Guarda contigo teu linho e o
Belo riso que Deus lhe deu.

Felicidade? Feliz sou eu.
Embora às vezes descontente,
Sinto - a mais que muita gente.
Escuta a ressonância de meu riso?!
Guarda contigo, este é o meu
Presente, quando enfim há vejo. 

Marcela Barreto

sexta-feira, 9 de julho de 2010

ALMA E CORPO




A alma que se abre neste momento,
É a paisagem de uma palavra escrita.
Condenada pelo tempero do corpo,
Com sabor das grades de uma vida.
Nesta metamorfose um porto:
– Meu porto é a esperança do corpo
                            [abandonar a solidão.
Ao conseguir, o que é certo que vou
Pegarei as chaves e ficará o coração.
Mergulharei na fealdade desta cela,
Emaranhada pela beleza deste mar.
Quanto à alma:
– Este será um dia de glória!
Guardarei este retrato para enfeitar
                         [as paredes desta vida.
A cada olhar, uma recordação...
E o nascimento da poesia escrita.

Marcela Barreto