sábado, 27 de fevereiro de 2010

RENASCER

                                                                                          
Com os braços cruzados sobre a janela,
Olhando para os ceus, dou asas à imaginação,
Viajando sobre ideias, procurando definição.
Os meus olhos caminham nos horizontes,
Na imensidão escura do Universo...
Ainda sim vejo luz!
Ora vesti - se de lua, ora se vesti de sol.
Cada amanhecer o brilho se estende,
Um pouco de mim se modifica,
Como num vento ou sopro, compreende?
Sei o que sou, sei que sempre serei eu,
Mas, a cada raio de luz nasce um novo eu.
Buscando meu caminho, marcando existência,
Seguindo meu extinto com benevolência,
Tão efêmera quanto um novo dia,
Que nasci que morri... Que morri que nasci...
Neste milésimo de segundos viajados,
Volto-me aos meus pensamentos,
Repouso minha alma, meu maior instrumento.


Marcela Barreto

sábado, 20 de fevereiro de 2010

MULATA





As quiçaças caídas sobre o chão,
Com peso da enxada, pesada,
Vens à senhora mulata, com mãos calejadas,
Derrubando e cortando,
Ao olhar dos senhores de terras,
Não passa de boia-fria, pura supremacia!
Sem identificação, sem-comida, sem pão;
Carrega em seu olhar cansado,
Líquidos lacrimais de indigente,
Que secam sobre a terra quente,
Que ferve a cabeça até que adoeça,
De lamentos, de lembranças e dor.
Fora deixada família para trás...
E os sonhos? Onde foram?
- Ficam parados no tempo
Não acompanham os pés descalços,
Nem as canções desta coitada,
Ainda com pouco, faz-se discernir seu alimento,
Outrora da à luz ao relento,
Com um fio de esperança,
Alimenta ao peito sua única herança.


Marcela Barreto