sábado, 27 de março de 2010

FELICIDADE







Depois de um dia suado, bati meu ponto.
Fui, e ao encontro do sossego caiu um pé d’água.
Rendida, estendi meus braços e sorri...
As lágrimas de Deus lavaram minha alma.
Já em casa, estou pronta para o banquete
- Dois peixes: Um grande e um pequeno.
Saltavam dos lábios da senhora, minha mãe.
Reunidos sobre a mesa rezamos a oração.
Meu pai mostrou um apetite animalesco.
Gostaria de entender os segredos da existência,
Mas estou feliz e agradeço.
- Amém!


Marcela Barreto

sábado, 20 de março de 2010

NEM TÃO PERTO, NEM TÃO LONGE




Nem tão perto, nem tão longe,
As cores surgiram da tela,
Tomaram vida, em meia aquarela.
Surgindo no quadro seu rosto,
Que me tira um esboço de sorriso.

Nem tão perto, nem tão longe,
Deu-me a noite de você uma parte.
Admirá-la como uma obra de arte.
Seu sorriso e seu olhar de girassol,
Me encantam e dão vida como o sol.

Nem tão perto, nem tão longe,
Em ilusórias te vejo aos céus, num balão.
Tira-me de baixo e me leva desilusão.
Como pássaros que deslizam sobre o tempo
Quero estar em seus sonhos neste vento...



Marcela Barreto

sábado, 13 de março de 2010

LUA





Seja bem vinda!
Alegremente a lua sorria e dizia.
Estava mais encantada naquela noite.
Me fazia sorrir de orelha a outra.
Os caminhos não pararam de
                   [admirar-te ô Lua graciosa.
No espaço do tempo...
Batendo o vento sobre o rosto...
Eu te vi
Vagamente de longe
Vestida de branco
Aproximava-me ao encanto de
                                            [seu abraço.
Não te diferenciava da lua.
Estrelas cadentes caíndo do céu,
Roubando puramente meus olhos.
Coberta de muitas tentações
Fugia de mim, minhas palpitações. 
Ah, Lua de encanto dou-lhe minha
                                [poesia e meu canto.
Para tirar de seus lábios este enfeite.
Que clareia as noites mais obscuras,
Com teu sorriso contemplado em forma
                                              [de presente.



Marcela Barreto

sábado, 6 de março de 2010

CONFISSÃO



Vou te confessar!
O poeta é o tudo é o nada.
Um lado confuso,
outro contraditório
e tem um meio-avesso.
Descreve muito do
que mal compreende...
Ao acaso ou não esclarece
a vida de tanta gente.
Em pensamentos passa aquilo
que poderia ter sido, mas não fui.
Por ficar preso ao passado,
pensar no futuro,
me esquecendo de viver,
sempre e apenas o presente.
Lhe digo que:
O Poeta existe para sofrer e
                     [descrever este fardo.
É aquele fardo!
Que abusa do lirismo, o amor...
Substancialmente é ele que rege
todas as coisas.
E como é delicioso
se embriagar dele/nele.
Descrever em palavras
a falta das falas...
Que às vezes não é tão digna
quanto necessita ser.
Que vale sonhar,
que vale sentir,
que vale sofrer...
Vale, vale muuuuuuuiiitto!
– O meu ser é ser Poeta.


Marcela Barreto