sábado, 22 de maio de 2010

RENOVO-ME


Escrevo para não esquecer...
A brisa secando meu rosto
enquanto estou estática
observando o amanhecer.
Cada fremir de vento em flores,
borboletas e amores sem fim.
Ah, quero-quero, querubim...
quero mesmo, quero as cores
de um arco-íris só para mim.
E pintar-me com cores de saudades,
das flores que ganhei,
borboletas que avistei
e amores que já tive.
E então mantenho a memória.
De um passado bondoso,
que não foi embora.
Escrevo para não adoecer...
do lamento que se vai,
para nascer o regozijo;
do escuro que se volve claridade.
A cada sentir, um espasmo...
Pois da natureza?
Ah, quero todo seu abraço,
para findar-me no começo de um novo dia,
do novo tempo, do mais belo acaso...

Marcela Barreto
Camila Martins

sábado, 1 de maio de 2010

CINZA



Neste poema, não há graciosidade.
Nem ao menos sutileza.
Apenas verdade sem - nenhuma beleza.

As cores de um mundo real.
Que ficou cinza…
                [É a mistura de todas as cores.

Unidas! Como este mundo sem-valores.
Não há nacionalismo que suporte.
Oh, inacessíveis terras de prescritores.

Não feche os olhos, abra-os e
Cure com tua cegueira os corações
         [encharcados com a seca da alma.

Não há destino, mas se acaso voltar,
Volta pela vigília daqueles que levou
                                                       [Ao mar.

Não pela ostentação do barão vil,
Que cultivam indigência, penúria e frio
                            [Acinzentando olhos mil.


Marcela Barreto